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Narciso e Eco

"Uma ninfa bela e graciosa tão jovem quanto Narciso,chamada Eco e que amava o rapaz em vão. A beleza de Narciso era tão incomparável que ele pensava que era semelhante a um deus, comparável à beleza de Dionísio e Apolo. Como resultado disso, Narciso rejeitou a afeição de Eco até que esta, desesperada, definhou, deixando apenas um sussurro débil e melancólico. Para dar uma lição ao rapaz frívolo, a deusa Némesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própriabeleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou, olhando-se na água e se embelezando. As ninfas construíram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram uma flor no seu lugar: o narciso. “







Por : Lázaro Freire


Vivemos um grande "neo-narcisismo pós-hedonista".



O antigo culto ao corpo implicava, pelo menos, melhorar o que se tem. Agora, o próprio corpo tornou-se um produto a ser adquirido - cabelos, seios, cinturas - para ingressarmos no mercado do "amor". Nele, bons investidores conseguem adoração, independência financeira ou substituto de auto-estima até a próxima estação de neo-prostituição. Se o amor é mercado, preciso ser bem de consumo, moeda de troca, e a embalagem é fundamental.
Fico imaginando como serão os cemitérios do futuro. Precisarão ter caixinhas de restos mortais maiores, para acomodar as bolsinhas de silicone da bunda e peitos da titia que "desencascou".
Ainda bem que silicone é inflamável: Com um pouco de fogos de artifício, poderemos vir a ter rituais pirotécnicos nas futuras cremações. Mas isso se houver família para administrar restos mortais.



10 de julho de 2010

Quando gostamos demais de nós próprios.





Amar-nos a nós próprios é imprescindível! Porém, é necessário termos limites para esse amor, porque gostarmos demais de nós pode ter os seus sérios inconvenientes.
Como tudo na vida o amor também deve ter os seus limites. Seja o amor pelos outros, animais, trabalho, ou pelo que quer que seja, necessita de regras específicas. O amor que se tem pelo nosso corpo, rosto, figura, personalidade, necessita também de uma medida certa senão acabaremos por cair naquilo que se designou por Narcisismo.
E quem era Narciso? Narciso era um jovem que gostava tanto de si que se acabou por se apaixonar pela sua pessoa. A paixão por ele mesmo era de tal ordem que levou Narciso a provocar a sua própria morte, atirando-se ao rio onde estava reflectida a sua imagem. Não é que hoje em dia as coisas se passem como neste episódio da mitologia grega, mas há de facto pessoas demasiadamente apaixonadas por si e que vivem num mundo à parte.
O fundamental é saber encontrar a medida certa de amor por si mesmo. As pessoas que não gostam do seu corpo, da sua personalidade ou daquilo que vêm reflectido no espelho têm enormes problemas de auto estima, mas aquelas que exageram neste sentimento acabam também por não ter uma vivência saudável. A auto estima é tão elevada que as pessoas ficam com uma falsa percepção da realidade, construindo um mundo que é habitado apenas por elas mesmas.
Neste domínio é comum falar-se de pessoas egocêntricas. Demasiadamente centradas em si próprias, muito dificilmente conseguem ouvir a opinião de quem quer que seja, tentando sempre assumir um papel de liderança e de domínio em relação a tudo o que está ao seu redor. Na realidade, uma conversa com um narcisista não existe! Só ele tem o direito à palavra, à verdade e à razão. É muito dado a detalhes quando comunica com os outros, ou melhor, quando cria um monólogo protagonizado por si, por forma a tentar conseguir que todos os outros se deixem levar pela suas palavras e, assim, afirmar-se de maneira imperial.
Há em qualquer narcisista o desejo de ser o destaque do acontecimento ou do momento, o embrião de uma qualquer situação por mais insignificante que seja. Ainda que não sejam mentirosos, têm uma grande necessidade de contar muitos detalhes que em nada alteram o rumo da história. Esta postura serve apenas como táctica para se afirmar ainda mais perante os seus ouvintes. Aparenta ter uma vida estável, sem qualquer problema, sempre feliz e bem disposto, pois o narcisista nunca se mostra vitima do que quer que seja. A sua vida é, apenas segundo as suas convicções, o sonho de qualquer um!
Todavia, e ainda que aparente possuir uma vida perfeita, o narcisista vive com uma grande solidão e amargura dentro dele. A vida fictícia que criou para os outros julgarem que ele é o melhor, faz com que a pessoa egocêntrica tenha uma grande necessidade de se refugir e fechar em si mesma pois ‘sabe’, no seu inconsciente, que tudo aquilo não é tão verdadeiro assim. O final desta postura de vida, caso se continue com esta atitude, é o caminho escuro e sombrio da solidão.
O narcisismo, segundo os psicólogos, pode ter as suas raízes na infância. Um dos motivos apontados tem a ver com o facto da criança nunca ter sido verdadeiramente apoiada, incentivada ou acarinhada quando era pequena, o que originou a criação de um mundo particular, muito seu, no qual ela sempre foi o principal e único destaque. Mas, outras das causas apontadas, tem a ver exactamente com a situação oposta: os pais mimaram tanto a pessoa quando ela era nova, fazendo-a sentir sempre a mais forte e a melhor, que há agora uma grande dificuldade em quebrar esse mundo. À medida que crescem, as crianças, em qualquer destes dois casos, têm uma tendência para ir aumentando esse mundo utópico de intensidade ilusória.
O narcisismo é um dos problemas que afecta muitas pessoas, homens ou mulheres, e a maioria das vezes a pessoa egocêntrica não se apercebe que o é. Julga que ser melhor que os outros é algo perfeitamente natural. Mantendo uma relação muito difícil com o mundo, dificilmente conseguem ter amigos muito chegados e que durem para toda a vida, devido à sua incapacidade para escutar e conseguir penetrar no verdadeiro mundo dos mortais. Por isso, a solidão costuma ser uma das muitas experiências dos narcisistas. Os problemas depressivos, a falta de carinho e de interligação com o mundo fazem com que os narcisistas se isolem cada vez mais. A droga ou o álcool podem vir a ser um dos seus fiéis companheiros.
Uma terapia é a melhor solução para estas pessoas. Embora a cura leve algum tempo, pois não é de um dia para o outro que a pessoa abandona o seu mundo de ilusão, há fortes esperanças que o narcisista possa vir a ter uma vida normal. Para isso, é preciso que o especialista vá ao ventre do problema que afecta a pessoa para que, em seguida, se caminhe na reconstituição do paciente.
Só assim encontrar-se-á uma pessoa comum às outras com momentos de alegria e tristeza, como qualquer ser humano!


Fonte: http://www.mulherportuguesa.com/amor/artigos/1216

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