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Narciso e Eco

"Uma ninfa bela e graciosa tão jovem quanto Narciso,chamada Eco e que amava o rapaz em vão. A beleza de Narciso era tão incomparável que ele pensava que era semelhante a um deus, comparável à beleza de Dionísio e Apolo. Como resultado disso, Narciso rejeitou a afeição de Eco até que esta, desesperada, definhou, deixando apenas um sussurro débil e melancólico. Para dar uma lição ao rapaz frívolo, a deusa Némesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própriabeleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou, olhando-se na água e se embelezando. As ninfas construíram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram uma flor no seu lugar: o narciso. “







Por : Lázaro Freire


Vivemos um grande "neo-narcisismo pós-hedonista".



O antigo culto ao corpo implicava, pelo menos, melhorar o que se tem. Agora, o próprio corpo tornou-se um produto a ser adquirido - cabelos, seios, cinturas - para ingressarmos no mercado do "amor". Nele, bons investidores conseguem adoração, independência financeira ou substituto de auto-estima até a próxima estação de neo-prostituição. Se o amor é mercado, preciso ser bem de consumo, moeda de troca, e a embalagem é fundamental.
Fico imaginando como serão os cemitérios do futuro. Precisarão ter caixinhas de restos mortais maiores, para acomodar as bolsinhas de silicone da bunda e peitos da titia que "desencascou".
Ainda bem que silicone é inflamável: Com um pouco de fogos de artifício, poderemos vir a ter rituais pirotécnicos nas futuras cremações. Mas isso se houver família para administrar restos mortais.



1 de maio de 2010

A DINÂMICA DE UM RELACIONAMENTO (ECO & NARCISO)


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Conta a mitologia grega que Eco era uma bela ninfa que amava correr pelos bosques, colher flores, mas recebeu uma maldição da deusa Juno, que com raiva dela, disse-lhe que continuaria a ter sempre a última palavra, mas que não poderia ser a primeira a falar. Eco apaixonou-se por um belo jovem Narciso, mas não conseguia expressar seus sentimentos, sem que ele primeiro lhe dirigisse a palavra. Rejeitada por Narciso Eco continuou a segui-lo por muito tempo, e envergonhada trancou-se numa caverna entre as rochas e até hoje ouve-se Eco. Narciso, por sua vez, perseguido por muitas ninfas, desprezava todas. Um belo dia, numa água cristalina viu sua própria imagem por quem se apaixonou. Tentava abraçá-la, mas em vão. De tanta rejeição sentida ele foi murchando até morrer.


Em seu lugar, foi encontrada uma flor roxa que até hoje é guardada em memória dele e se chama Narciso.

A história de Eco e Narciso parece se repetir em muitos relacionamentos. Homens que não conseguem amar a ninguém, a não ser a si mesmos. Homens que não conseguem perceber a noção de alteridade. Há um outro a quem posso e devo estender meus braços. Há um outro além de mim que posso e devo amar. Há um outro a quem preciso me doar ou doar um pouco ou muito do meu afeto, além de mim.

Por outro lado, para enaltecer o ego de tais homens, existe a Eco, jovem inebriada por seu amor e que se arrasta pedindo um pouco do amor de Narciso, que inclementemente cuida de sua imagem, de seu egoísmo, de seu egocentrismo. (Vocês sabem que há uma diferença entre os dois: egoísta é alguém que pensa somente em si mesmo. Egocêntrico é alguém que acha que o mundo deve girar somente ao seu redor.).

Os Narcisos morreriam na solidão se não existissem Ecos para lhes implorar e andar ao seu redor, lamentando com ele, lamentando por ele, entristecendo-se com ele. Tais Ecos e tais Narcisos, ressecam mutuamente. Narciso, sem conseguir amar. Eco sem conseguir ser amada. Eco se amargura e se tranca na caverna escura da solidão e depressão, e Narciso continua sua busca pelo amor que nunca conseguirá encontrar, porque ama sua própria imagem, e somos seres únicos.

Narciso, você nunca encontrará alguém como você. Se você quiser amar e ser amado, necessita sair de dentro de você mesmo, tentar ver outros ao seu redor, e aceitá-los exatamente como são. Eles não precisam se moldar ao seu jeito de ser para serem preciosos e valorizados.

Eco, você não conseguirá ser amada se continuar se arrastando aos pés de Narciso. Geralmente, o homem gosta de caçar, não de ser caçado. Portanto, guarde algum mistério, tenha seu jardim secreto, para que o ser que você tanto procura encontre a satisfação de ir lhe descobrindo aos poucos, até que ambos consigam cair nos braços um do outro para uma caminhada a dois, respeitando a alteridade e individualidade um do outro, quem sabe assim se complementam e cruzam a jornada do amor com mais lucidez e encanto.









Fonte : http://moisescarneiro.blogspot.com/2010/04/dinamica-de-um-relacionamento-eco.html

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